Apesar das múltiplas experiências a minha juventude é solitária
Na medida que pretendi conformar a realidade com as minhas próprias mãos, servindo-me dela, pois acreditei que, ganhando o mundo, conseguiria ganhar a mim mesma. Acontece que nascemos para o encontro com o outro, e não o seu domínio. E encontrá-lo é perdê-lo, é contemplá-lo na sua libérrima existência, é respeitá-lo e amá-lo na sua total e gratuita inutilidade. Temos e teremos as mãos vazias, na medida em que tenhamos ganho ou pretendamos ganhar o mundo.
Neste momento, a solidão me atravessa como um dardo. É meio dia em minha vida, e a sua face me contempla como um enigma. Invejo aquele que, ao meio dia, se percebe em plena treva, pobre e nu.
Talvez seja esse o preço do encontro, do possível encontro com o outro.
Hélio Pellegrino
terça-feira, 22 de abril de 2008
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